sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Geopolítica no contexto Pós guerra Fria


Durante a Guerra Fria o mundo esteve dividido entre duas grandes potências, EUA e URSS, o capitalismo x socialismo. Neste período o capitalismo estava em confronto direto pela sua manutenção e até mesmo expansão. Com a queda da ameaça socialista, que ocorreu com a derrocada soviética no fim da década de oitenta, o capitalismo pode finalmente se globalizar e atingir todo os cantos do mundo. No período da guerra fria a geopolítica era fundamental para que o capitalismo se mantivesse forte e resistente a ameaça socialista, os maiores gastos foram relacionados em áreas militares e estratégicas, o domínio político era fundamental em cada parte do mundo, esta lógica fez com que americanos e soviéticos se aventurassem nas mais diversas guerras, sem nenhuma lógica econômica, como Vietnã, Afeganistão, Coreia do Norte entre outras. O que prevalecia neste momento era a conquista política, era o confronto da esquerda com a direita liberal, o território físico era de importância estratégica. Após a queda do socialismo, o capitalismo através principalmente dos EUA, diminuiu suas interferências políticas e aumentou as interferências sob um viés de interesse econômico. Os Estados Nacionais não mais buscavam ideologias, partidos políticos mas sim interessavam nos avanços das empresas nesta aldeia global. As guerras que antes tinham uma conotação ideológica, passaram a ter como principal motivação a parte econômica. Com argumentos diversos os EUA invadiram Afeganistão e Iraque para se apossarem de suas riquezas e aumentar sua participação em áreas estratégias na economia global. Recentemente a Rússia mantém apoio incondicional a Síria na guerra civil que assola o país, este apoio se deve a forte ligação dos russos com este país, por questões econômicas principalmente de gás e petróleo. Outras guerras que mereceriam intervenções não foram sequer colocadas como noticiários das grandes mídias, como o genocídio em Ruanda no ano de 1994, onde morreram de forma cruel quase um milhão de pessoas, os locais na qual não há interesse econômico por parte das nações ricas não são colocados nem nas agendas de debate, neste caso os países principalmente da África são deixados a própria sorte, lembrando que a atual pobreza em que se encontram os países africanos se devem a disputas e o neocolonialismo dos países Europeus no século XIX e XX. A geoeconomia está ditando as normas da nova ordem mundial, a economia está colocando na agenda mundial o que é importante ou não. Isto explica os fracassos nas mudanças em questões como direitos humanos, meio ambiente, tentativas de diminuir a fome e a miséria no mundo. Há uma ressalva, diante da crise econômica que o mundo está passando desde 2008 que se iniciou nos EUA e se alastrou por todo o mundo, houve uma necessidade dos Estados Nacionais salvarem o capitalismo desta crise, neste momento todos verificaram que mesmo com a globalização e a diminuição da força dos Estados, eles ainda tem forte poder e forte interferência nas decisões globais. Diante destas análises podemos perceber que a Geoeconomia tomou as rédeas nesta sociedade global, porém a Geopolítica está atenta para qualquer desvio, ela irá interferir e com toda sua força, manterá o domínio capitalista sobre nossas vidas.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” Martin Luther King






Há cinquenta anos, um dos discursos mais famosos da história foi proferido pelo ativista político Martin Luther King. Ele falou sobre o sonho de uma convivência harmônica entre brancos e negros. Numa época em que o Racismo estava institucionalizado e os negros eram tratados pelos brancos como seres inferiores. 

Nos degraus do Lincoln Memorial em Washington D.C..Segue abaixo o discurso:


Ficheiro:IhaveadreamMarines.jpg

Eu Tenho Um Sonho

28 de agosto de 1963 Washington, D.C.

"Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência  estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.

Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nossos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.

Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã  que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano. 

Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais". 

Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade. 

Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississípi  um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça. 

Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo espiritual negro: " Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim."

domingo, 14 de julho de 2013

O louco sempre é o outro



O que é a loucura? Quem são os loucos? Quem são os normais?

Todas estas perguntas não são fáceis de responder, o tema loucura é estudado a milhares de anos em diferentes sociedades.
Foucalt, no livro História da Loucura, analisa os discursos da loucura ao longo do tempo, segundo ele o conceito de loucura já teve inúmeras interpretações. Porém no século XVII que houve uma revolução na interpretação do mesmo. Até este século a loucura estava associada ao místico, o desconhecido. Neste século houve uma redefinição deste conceito, a loucura passou a ser a desrazão, tudo aquilo que não era compreendido pela razão era loucura.  O discurso da racionalidade passou a ter uma saída para a incompreensão. Foucalt busca com isto mostrar a história da razão sobre a desrazão, impondo à desordem e ao desvio. 
Os famosos manicômios e hospícios são instituições criadas para abrigar os ditos loucos e com isto criamos uma dicotomia entre aqueles que são loucos ( e que deveriam estar nestes locais) e os normais (que deveriam estar fora). O principal objetivo da criação destes locais é para que possamos classificar que somos normais, afinal de contas não estamos lá dentro, quem está lá é que são loucos.
Durante todo o período em que existiram os famosos manicômios, todos aqueles que eram "indesejados" pela sociedade eram jogados nestes locais, ali eles apodreciam, as condições de vida eram sub humanas.
Sempre apontamos o que é normal e o que é loucura, classificamos as pessoas, as atitudes, os comportamentos, as opiniões, enfim tudo aquilo que vai de encontro com as nossas convicções são passados para a categoria dos loucos.
A ignorância e o fanatismo classificam as pessoas de acordo com os interesses de um determinado grupo, ao buscar uma justificativa para eliminar estes indesejáveis buscamos tirar de nossos ombros um peso que criamos e que não sabemos lidar. É muito fácil apontar e condenar, mas não conseguimos pensar e analisar os comportamentos que não aceitamos. O diferente não é loucura é apenas diferente, o problema não está na diferença, mas na capacidade de aceitarmos os outros. Buscamos justificar e colocar todos numa classificação que é ditado por alguns fanáticos e ignorantes, o pior é que muitos ainda o seguem.
A loucura e a normalidade são pontos de vistas da nossa imensa diversidade cultural, muitos tentam padronizar nossas ações e opiniões, esquecendo de que somos seres humanos e a nossa principal característica é a nossa cultura, ou melhor nossas culturas. O que nos diferencia dos demais animais é a nossa capacidade de mudarmos a todo tempo, somos seres culturalmente diferentes.
Uma vez escutei de um professor uma frase que achei fantástico, ele dizia mais ou menos assim:
"Nós seres humanos podemos romper com qualquer coisa, nada permanece se não queremos". Eu compartilho desta opinião, não vamos ficar "sentados no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar" como dizia o poeta Raul Seixas.
Se a loucura for o oposto desta sociedade consumista, gananciosa, maldosa, egoísta, mediocre e ignorante, EU PREFIRO QUE ME CHAMEM DE LOUCO.

Segue abaixo um trecho de um manicômio de Barbacena que funcionou de 1903 a 1980. A reportagem completa está no site abaixo.

“Milhares de mulheres e homens sujos, de cabelos desgrenhados e corpos esquálidos cercaram os jornalistas. (...) Os homens vestiam uniformes esfarrapados, tinham as cabeças raspadas e pés descalços. Muitos, porém, estavam nus. Luiz Alfredo viu um deles se agachar e beber água do esgoto que jorrava sobre o pátio. Nas banheiras coletivas havia fezes e urina no lugar de água. Ainda no pátio, ele presenciou o momento em que carnes eram cortadas no chão. O cheiro era detestável, assim como o ambiente, pois os urubus espreitavam a todo instante”. 
Esta narração aconteceu no manicômio de Barbacena em Minas Gerais em 1961, foi tirada da reportagem: Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio de Minas Gerais, de Renan Truffi IG São Paulo 12/07/2013 site: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/mg/2013-07-12/holocausto-brasileiro-60-mil-morreram-em-manicomio-de-minas-gerais.html

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Carpe diem




Carpe Diem é uma frase em latim que significa colha o dia ou aproveite o momento. 
Já parou para pensar o quanto nossa sociedade é metódica, disciplinada, moralista e superficial? Somos disciplinados desde a maternidade, nossas atitudes são monitoradas e regradas a todo momento. Somos cobrados desde criança as notas na escola, a profissão que devemos seguir, a religião que devemos professar, os livros, as músicas, os lugares para se divertir, as pessoas que devemos conversar, os programas de televisão que são "bons" e enfim toda a nossa trajetória de vida é monitorada e avaliada de acordo com um moral decadente burguesa, cristã, capitalista e ocidental. 
Nossa moral nos coloca quais as profissões que devemos fazer e quais que admiramos mais não podemos fazer.  Vivemos na ditadura da moda, na qual somos induzidos a vestir determinadas roupas em determinados locais só para manter "a pose". Vivemos na ditadura da etiqueta, devemos saber quais talheres são apropriados para se alimentar em determinados momentos. Devemos assistir e se divertir de acordo com a moral burguesa de nossa sociedade.
Sempre nos falam o que é bom para nós, mas esquecem de perguntar o que é bom para você. Afinal de contas somos seres únicos e culturalmente não temos outro ser nem parecido. Se a felicidade é subjetiva e somos seres únicos, como podem padronizar a diversão? Por que devemos seguir o que a maioria faz?  Muitos dirão: mas você pode fazer o que quiser. Com certeza, mas o peso da escolha faz com que a maioria nem inicie algo diferente do que é ditado.
Como se desprender das correntes que nos aprisionam? Como seguir uma profissão, escutar as músicas, sair para se divertir ou simplesmente se alimentar sem ser questionado?
Não se pode nem ficar calado refletindo ou ficar triste que logo vem alguém é diz: Você não está bem. As pessoas são obrigadas a estar bem o tempo todo, a sorrir, a aplaudir, a conversar enfim somos mais obrigados a fazer determinadas coisas e nossa vontade acaba ficando de lado.
Então e o Carpe Diem?
A felicidade é um conceito filosófico muito complexo, afinal o que determina nossa felicidade, ou melhor o que é a felicidade?
Faça aquilo que te der prazer, o prazer em viver coisas únicas. Viver o momento, não sair de forma infantil fazendo coisas que são colocadas em filmes norte-americanos como exemplos. Mas viver os detalhes de sua vida, aproveitar os momentos com a sua família, degustar os alimentos da sua vó, aproveitar os bons filmes que você escolheu para assistir, sair e enfim viver cada momento sem se preocupar tanto com o que os outros irão dizer, ou com a opinião alheia.
Colha o dia, imagine que cada dia é único, não deixe sua vida cair numa rotina. 
Busque a felicidade em tudo, não somente em coisas grandiosas.




sábado, 1 de junho de 2013

"Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes."Shakespeare
Guerra do Vietnã2 milhões de mortos
Campos de concentração nazista 2° guerra mundialNúmeros de mortos: 6 milhões

Relato de sobrevivente do campo de concentração:
 Motke Zaidl e Itzhak Dugin


"No momento em que se abriu a última vala, reconheci toda a minha família. Mamãe e minhas irmãs. Três irmãs com seus filhos. Elas estavam todas lá. (...) Quanto mais se cavava para o fundo, mais os corpos estavam achatados, era praticamente uma posta achatada. Quando se tentava segurar o corpo, ele esfarelava completamente, era impossível pegá-lo. Quando nos forçaram a abrir as valas, proibiram-nos de utilizar instrumentos, disseram-nos: 'É preciso que se habituem a isso'; trabalhem com as mãos (...) Os alemães haviam até acrescentado que era proibido empregar a palavra 'morte' ou a palavra 'vítima', porque aquilo era exatamente como um cepo de madeira, era merda, aquilo não tinha absolutamente nenhuma importância, não era nada."


Genocídio em Ruanda 1994 
Massacre perpetrado por extremistas hutus contra tutsis.

Quase um milhão de mortos

Um massacre que durou 100 dias, a maioria das mortes foram através de facões, e os corpos ficaram expostos nas ruas.Os países ricos simplesmente não fizeram nada, os poucos soldados da ONU se retiraram e deixaram a população ser massacrada e a maioria das mulheres serem estupradas.E a imprensa? E só questionar as pessoas se elas ficaram sabendo deste massacre. Muitos sabem sobre a Bósnia, Iraque, Kuwait entre outros, afinal de contas estes locais tinham interesses econômicos.O filme Hotel Ruanda retrata esta carnificina.“Todos os grandes personagens viraram as costas para nossos massacres. Os boinas-azuis, os belgas, os diretores brancos, os presidentes negros, as pessoas humanitárias e os cinegrafistas internacionais, os bispos e os padres, e finalmente até Deus.” A constatação é de Élie Mizinge, um dos assassinos confessos hútus que participaram do massacre em Ruanda



Bombas de Hiroshima e Nagasaki


220 mil mortos diretamente e milhares de mortos devido a deformação genética, além de mortes devido a traumas.


Jim Jones e o “suicídio” coletivo de 900 pessoas

James Warren "Jim" Jones foi pastor evangélico americano e fundador da igreja Templo do Povo, que tornou-se sinônimo de grupo suicida após o suicídio em massa de 18 de novembro de 1978 por envenenamento, em sua isolada coletividade comunitária agrícola chamada Jonestown, localizada na Guiana.

Por que não nos questionamos o quanto é sofrível a vida.



Por que evitamos nos perguntar coisas que nos colocam dilemas como por exemplo:
Por que pessoas boas, bebês e indefesos morrem de forma violentas, ou adquirem doenças que interrompem vidas de pura dedicação ao próximo?
Por que não nos questionamos o quanto é sofrível a vida.

Tentamos a todo momento colocar um significado na vida, mas afinal é possível?
Vivemos uma vida autêntica ou simplesmente buscamos um significado para ela?
Faz sentido em tudo que está acontecendo, ou no desespero de achar algum significado colocamos respostas na sua maioria forçadas.
Como nos deparamos com questões como: a clonagem, afinal de contas o ser humano está perto de seguir na mesma lógica da  fabricação em série das indústrias, mas com seres humanos.
Estes questionamentos nos colocam dilemas que muitas vezes não queremos enfrentar, até onde podemos chegar?
Há lógica na vida? Ou tentamos criar lógica para tudo?
Quando nascemos começamos a vida ou a morte?
Se pararmos para pensar, ai sim perceberemos o quanto é extremamente díficil a vida. Lutamos desde o ínício ao nascer para que possamos respirar e se manter de pé, logo em seguida crescemos com doenças, violências e a cada momento que passa o nosso corpo vai perdendo células e envelhecemos.
Estamos o tempo todo buscando a felicidade, mas o que seria isto?
Momentos fugazes de prazeres, já parou para pensar que no momento em que realizamos nossos sonhos e desejos logo em seguida começamos os periodos de incertezas e sofrimentos. Enfim, todos os pequenos períodos de prazer, felicidade e interligados por grandes períodos de lutas, sofrimento e desprazeres.
A vida é um mar de sofrimento e pequenas ilhas de felicidade.
Como conseguiremos lidar com isto?
Viva intensamente todos os momentos, não importa se está ruim, se você está sofrendo, ou se está passando por dificuldades, não espere este pequeno tempo de felicidade. Busque no sofrimento uma forma de ser feliz. 

domingo, 19 de maio de 2013

A violência como forma de alto afirmação





      O que leva os seres humanos a violência?
     Porque mulheres, índios  negros, homossexuais, nordestinos, pobres, crianças, idosos entre outros são alvos frequente de qualquer tipo de violência?
      Nascemos violentos ou na nossa vivência adquirimos personalidade deste tipo?
     Com exceção da raça humana, todos os outros animais utilizam formas violentas somente como instinto de sobrevivência, sendo uma forma de proteção e de se alimentar. Não existe maldade nos outros seres vivos. O ódio, o rancor o ato de efetuar maldade por prazer são exclusivos da espécie humana.
     Cenas como colocar fogo em alguém, quem não se lembra do índio Galdino que em abril de 1997 foi morto por cinco rapazes de classe média alta em Brasília por pura diversão, ou no caso da empregada que foi espancada por também cinco rapazes de classe média no Rio de Janeiro em 2007, eles falaram que confundiram-na com uma prostituta, como se a prostituta não tivesse importância.
      Estes dois exemplos são apenas uma amostra dos números que colocam o Brasil no topo da violência no mundo, sendo que muitos destes números são de violências com motivo banal.
      O filósofo Thomas  Hoobes em O Leviatã coloca que o homem é o lobo do homem (Bellum ommium contra omnes, guerra de todos contra todos), no estado de natureza nascemos com instintos de violência, sendo necessário que haja uma força externa para evitar a auto destruição. Por isto criamos o Estado (o Leviatã), aquele que tem o monopólio da violência. Somente, segundo Hoobes, através deste pacto ( O Estado) é que conseguimos viver em paz (ou pelo menos tentamos).
    Já outro filósofo, Jean Jaques Rousseau, coloca que o homem nasce bom, porém a sociedade o corrompe, a vivência em sociedade cria seres violentos.
      Ter raiva é natural, afinal de contas as pessoas se frustam, a convivência com o diferente gera conflitos de opinião e as disputas são fundamentais para a evolução de qualquer espécie, é a seleção natural de Darwin.
      Porém, da raiva para a violência há uma grande diferença. Afinal de contas somos seres racionais, somos repleto de uma inteligência que nos proporciona a escolha mesmo em  momentos de raiva o que é melhor para nós e para o outro.
      Todos os seres que utilizam qualquer tipo de violência (física, verbal, moral) são pessoas incapazes de utilizar sua racionalidade para controlar seus instintos. Não tem controle sobre o seu biológico, vivem em muito dos casos como seres irracionais.
      A única forma de evitar a formação de seres desta natureza são através da boa educação de nossas crianças, não apenas uma formação intelectual, escolar ou profissional, mas cria-los numa vida autentica, não só falando, mas demonstrando com exemplos atitudes em que devemos respeitar e conviver com o diferente, sem preconceito, discriminação e com tolerância.
      Não dê somente bonecas brancas para as crianças, dê também as bonecas negras. Dentro do possível tenha  animais de ambas as cores (isto irá demonstrar evitar que cresçam com sentimentos racistas).     Demonstre o valor da experiência, valorizando o conhecimento histórico, valorize as histórias das avós e avôs (isto irá demonstrar o quanto devemos respeitar os mais velhos). Não dê apenas carros de brinquedos para meninos e bonecas para as meninas, isto irá reforçar a discriminação de gênero, mostre que, tirando o biológico, o restante é construção histórica de homem e mulher. Leve-o em diferentes religiões para conhece-las, afinal a ignorância coloca a sua religião como a "verdadeira", isto cria sentimentos de que o outro está vivendo no mal e você no bem, não sabendo que o outro também pensa desta maneira. Mostre o valor da felicidade, tirando a ideia de que o que você pensa sobre ser feliz deva ser universal, a felicidade e algo estritamente subjetivo, a vida de cada um deve ser respeitada, isto irá demonstrar o quanto a opção sexual é algo particular e não algo que deva ter questionamentos público.
      Devemos respeitar todos os seres vivos, ao invés de vivermos na hipocrisia de classificar, apontar o que deve e o que não deve ser aceito moralmente, deveríamos sim preocupar com questões como: trabalho infantil (no Brasil temos mais de 700 mil crianças trabalhando), colocando gerações e mais gerações num ciclo vicioso de pobreza e falta de expectativa de uma vida digna. Ou questões como: diminuição de mortes por questões que deveriam ter superadas há muito tempo como: doenças por saneamento básico deficiente, analfabetismo, prostituição infantil, fome entre outros.
    A violência só mostra o quanto somos seres que apesar de termos racionalidade, somos medíocres  infantis e que na sua maioria não contribuímos em nada para a construção de uma sociedade que realmente possa ter a classificação de civilizada.