sexta-feira, 18 de julho de 2014
A ditadura da felicidade
Ouvimos a todo momento vários conselhos como: Seja feliz! Não fique triste! você não pode ficar deste jeito! Sorria! Enfim, somos bombardeados para que sejamos felizes em todo instante, a tristeza e a angústia não cabe nesta sociedade, devemos viver a ditadura da felicidade. É da condição humana sofrer, se angustiar, sentir a dor, se enraivecer, se entristecer, enfim não temos como escapar, somente conseguiremos ter uma vida menos sofrível se suportarmos estes momentos de dor e angústias, quando vivenciarmos em toda sua plenitude estes momentos. Veremos que desta forma conseguiremos criar forças e equilíbrio emocional e físico para vivermos nossas vidas. Os livros de auto ajuda estão em todos os lugares, vendendo a ilusão de viver uma vida feliz, são títulos que se não fosse ridículo e trágico seria cômico, os dez mandamentos para ser feliz, como ser feliz em pouco tempo entre outros títulos ridículos e sem nenhum fundamento, apenas na lógica do consumo e do lucro, vende-se tudo no sistema capitalismo, até a felicidade. Se os livros de auto-ajuda ajudassem mesmo, não precisaríamos comprar mais e mais, pelo contrário iriamos depender menos destes manuais para conseguirmos alcançar nossa felicidade, quem realmente está se dando bem nesta história são os autores e as editoras.
Somos quase que obrigados a responder que estamos bem e feliz, mesmo que a resposta não seja a realidade, afinal um resposta negativa iria causar uma estranheza acompanhado com uma avalanche de perguntas e sermões de como ser feliz. A ditadura da felicidade nos obrigam a viver um faz de conta, uma vida na qual devemos a todo momento estampar em nossos rostos um sorriso, como um imagem congelada de alegria, estamos vivendo um teatro na qual colocamos uma máscara para irmos de encontro com nossa vida social.
A tristeza, a raiva, a angústia são sentimentos humanos, não só devemos ter a consciência de estes sentimentos são inerente da nossa espécie, como também devemos entender que o que nos fortalece são a somatória de tudo isto. Somente existe felicidade se tivermos momentos de tristeza. Não há como escapar das doenças, das derrotas, da morte enfim tudo aquilo que nos atormentam devem ser encarados de frente e com toda as nossas forças. Não devemos fugir como fechamos os olhos quando vemos cenas de terror em um filme, a realidade não permite este tipo de acovardamento. O fortalecimento de nossa condição humana depende de como estamos vivendo estes momentos. Viver é algo extremamente complicado, doloroso, difícil, enfim algo que todos irão passar, como irá passar é que nos diferenciará uns dos outros. Por isto não busque a felicidade como quem compra um remédio para dor de cabeça, não compare a sua felicidade com as dos outros, o que nos tornam únicos é exatamente esta capacidade de vivermos de forma completamente diferente, mesmo diante das coisas semelhantes, jamais existiu e existirá dois seres que viverão igualmente. . Não procure a felicidade, apenas deixa que a vida lhe mostre, viva todos os momentos, independente de sua intensidade ou se é algo bom, ruím, trágico, feliz, triste, amargo, doce enfim somos humanos e não há como mensurar a felicidade.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Futebol: uma forma imbecil de sermos patriota

Mulher catando o que comer numa lixeira antes de jogo da seleção brasileira de futebol
Em toda copa do mundo, durante 30 dias percebemos
um patriotismo imbecil e fajuto. Afinal de contas só vangloriamos, cantamos e choramos o hino nacional
com a entrada de jogadores da seleção em campo, um torneio em que dirigentes de
entidades corruptas como a CBF e a FIFA, governos oportunistas e esportistas
gananciosos se gladiam por lucros exorbitantes, aproveitam da imbecilidade de
boa parte do povo brasileiro para conseguir aumentar seus patrimônios. Ao invés
de lermos ou assistirmos comentários de assuntos e de pessoas relevantes,
simplesmente paramos na frente da televisão para ouvirmos e vermos talvez os seres
mais idiotas e irrelevantes do mundo, a maioria se preocupam como acordou determinado jogador, o que almoçou entre outros assuntos deste nype. Toda esta turma que está lucrando com a copa eu não vejo nenhuma
imbecialidade, afinal eles estão aproveitando o fanatismo dos torcedores
brasileiros, que buscam no prazer fugaz e passageiro de ver sua seleção jogar,
um prazer que ultrapassa o mero divertimento e entra no campo da
irracionalidade.
Afinal se o Brasil for campeão novamente no
futebol, o que isto representará para o nosso país? O que irá trazer de bom para o povo brasileiro? O que isto representará para o futuro de nossa nação? Nada.
Quem afinal são considerados os nossos heróis?
Jogadores de futebol, esportistas, cantores de músicas alienantes e banais,
narradores de futebol entre outros seres insignificantes na construção de uma
grande nação.
O que realmente iria nos colocar como um país
reconhecidamente grande e respeitado somos simplesmente um dos mais
insignificantes da terra.
O Brasil jamais ganhou o prêmio Nobel (este prêmio
é distribuído desde 1901 nas áreas de Química, Física, Medicina, Paz e
Literatura e desde 1969 o de economia, representa as pessoas que mais
contribuíram no desenvolvimento destas áreas para a humanidade). Até hoje 72
países ganharam este prêmio, e o Brasil se vangloriando de ser penta campeão do
mundo de futebol não ganhou nenhum. A Argentina que tanto comparamos no futebol
já ganhou cinco vezes o Nobel, outros países da América do sul também já ganharam, Venezuela, Colômbia, Peru e Chile. Outro
título que poderia encher o brasileiro de orgulho, o Oscar jamais ganhamos uma estatueta,
alguns países que já ganharam o Argentina 2 vezes, Costa do Marfim, Irã,
Argelia, Bosnia entre outros.
Voltando para o Futebol e a copa do mundo, somos campeões. Além deste insignificante torneio esportivo somos sim campeões em:
Voltando para o Futebol e a copa do mundo, somos campeões. Além deste insignificante torneio esportivo somos sim campeões em:
Taxas de homicídio: Somos um dos países mais
violentos do mundo, o Brasil registrou mais de 10% do total de assassinatos do
globo em 2012, segundo a ONU.
Também somos o sexto país mais desigual do mundo,
superamos apenas países como Namíbia, Botsuana, Serra Leoa, República Centro
Africana e Suazilândia, todos situados na África subsaariana, a região mais
pobre do mundo. Há sim somos o campeão da desigualdade na América Latina,
conforme o Bird.
Somos o penúltimo lugar em um ranking
global de educação que comparou 40 países.
O sistema de saúde brasileiro fica em
último lugar em ranking mundial, lista produzida pela Bloomberg, levando em
consideração 48 países.
E ainda batemos no peito durante esta copa para se
orgulhar do nosso patriotismo.
Espero que o mundial traga muitos turistas, que
haja muita festa, que as manifestações possam acontecer sem violência, que
celebremos uma confraternização mundial. Mas que a seleção brasileira saia do torneio o
quanto antes, não quero que oportunistas aproveitam um mero torneio de futebol
para retirar das atenções o que realmente devemos nos preocupar. Congresso
sem nenhum parlamentar e ganhando por isso, enchentes que estão arrasando o sul
do país entre outros.
Para o bem da nação, a seleção tem que perder o
mundial. Não desejo que este mundial seja utilizado como propaganda política por
nenhum partido como aconteceu na copa de 70.
Segue abaixo a letra de uma música que retrata o que penso:
Legião Urbana
Perfeição
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos covardes
Estupradores e ladrões
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos covardes
Estupradores e ladrões
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E sequestros
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E sequestros
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/os-25-paises-mais-violentos-do-mundo-brasil-e-o-18o
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111010_brasil_nobel_brics_pai.shtml
http://www.jornalcopacabana.com.br/ed104/arthur100.shtml
http://noticias.r7.com/saude/sistema-de-saude-brasileiro-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-mundialnbsp-31082013
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Atos de selvageria na abertura da copa do mundo no Brasil
"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer." Albert Camus

Vivemos em um país que apesar de sua jovem democracia, tem como um de seus pilares a liberdade de expressão, liberdade política, enfim temos toda a liberdade de falarmos e expressarmos nossas opiniões, porém, o que vimos durante a abertura da copa do mundo no Brasil foram ofensas de caráter selvagem. Saiu de um grupo privilegiado da sociedade palavrões que com toda certeza não gostaríamos que nossas crianças ouvissem nas nossas casas, bilhões de pessoas escutaram aquelas palavras que tinham como alvo a Presidente da República do Brasil Dilma Rousseff, neste caso não interessa a posição política de cada um, mesmo que a ofensa fosse para qualquer um, isto não serve como justificativa para que um bando de selvagens gritassem ofensas que envergonharam a todos os brasileiros diante do mundo, talvez metade da população do mundo, lembrando que quem estava gritando estava usufruindo das realizações da copa, soa como hipocrisia e a mais pura evidência de que o ódio e a raiva está numa parcela da população que buscam através do anonimato demonstrar toda sua selvageria. Vale lembrar que o cargo de Presidente da República no Brasil representa o Chefe de Estado e de governo da nossa nação, não interessa a sua posição política, o seu candidato, se você concorda ou não com os rumos de nossa política, mas querendo ou não a Dilma Rousseff é a nossa presidente e o Estado brasileiro e a população que ela representa deve ser tratado com todo o respeito. Quando não respeitamos os nossos representantes estamos manchando a imagem de um país Republicano e Democrático. Busquemos mudar o Brasil não com palavrões, mas com discussões políticas e escolhas democráticas através do voto, e claro devemos respeitar os nossos políticos que foram eleitos democraticamente.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
A vulnerabilidade de nossa razão
Somos seres dotados de inteligência, temos a nossa capacidade de vivermos em culturas múltiplas, temos História, criamos e destruímos grandes colossos, temos sonhos, desejos, angústias, amores, amizade, fraternidade, maldade; enfim somos humanos. Um ser único na face da terra, talvez tenhamos companheiros igual ou mais evoluído em outros confins do Universo, mas voltando para o nosso humilde e simples planeta terra, podemos perceber o quanto somos diferentes de todas as outras especies, mesmo comparados aos nossos parentes mais próximos, os macacos, somos infinitamente superiores no quesito inteligência.
Mas ao introduzir a ideia de evolução, podemos questionar, o que seria esta evolução. O século XX e começo do XXI é talvez o período em que mais houve mudanças científicas e tecnológicas, porém é também o mais sangrento, as guerras e holocaustos provocados por nós tem nos colocados grandes dilemas. Somos seres racionais e ao mesmo tempo não usamos a nossa racionalidade para evitar grandes trajédias, mortes, assassinatos, apoiamos correntes de pensamentos neonazistas, deixamos nossas crianças passarem fome, serem mortas, se drogarem, trabalharem ao invés de estudarem. Nossos idosos serem humilhados, maltratados e deixados a própria sorte. As nossas mulheres, quantas são violentadas e ainda pensamos que isto é culpa delas. Os negros, que no passado recente foram escravizados e que após serem deixados a própria sorte ainda não conseguem se erguerem pois o racismo que muitos ainda acreditam não existir está sendo praticado a todo momento em todo lugar. E os homossexuais que não podem viver suas liberdades sexuais por causa de um moralismo religioso que tem causado ódio, morte e violência, somos ou melhor deveriamos ser um país livre, com liberdade conforme rege nossa constituição. Os índios que foram quase totalmente dizimados na invasão européia do continente deles, hoje tem que lutar para manter suas terras, sua dignidade, suas vidas, fomos contaminados por uma visão capitalista, na qual não conseguimos entender o modo de vida deles, olhamos para a floresta e vemos pastos, olhamos os animais e vemos indústrias e comércio.
Enfim, estamos no alge do conhecimento e ao mesmo tempo da ignorancia, não sabemos utilizar nossa razão para vivermos melhor, somos sugados pela nossa ganancia, nossa forma de viver destruidora e individualista, utilizamos de nossa moral decadente para classificar, julgar e condenar quem achamos que devemos. Até quando iremos viver nessa ignorância, até quando seremos direcionados por atitudes e opiniões que são ditados por uma massa de manobra, como um rebanho que será direcionado para o abate e não fazemos nada, não dizemos não, afinal é comodo ir com a maioria. Até quando seremos este ser mediocre e incapaz de fazer algo que realmente possamos bater no peito e dizer sou um ser humano, o ser mais evoluido de todos os outros animais.
domingo, 30 de março de 2014
Banalização do mal
O Holocausto durante a segunda guerra mundial provocou grandes transformações políticas e no
pensamento ocidental. Israel buscou de várias formas capturar e julgar aqueles que participaram direto e indiretamente deste terrível episódio da história humana. Um destes fugitivos foi Eichmann, ele foi capturado na Argentina da década de 60 e levado para julgamento em solo israelense. Este caso teve uma grande repercussão internacional, sendo transmitidos para vários países. A filosofa Hannah Arendt se interessou pelo caso e virou repórter neste julgamento.
Ela buscava compreender como era a mente de um ser humano que tinha ajudado a matança de milhões de judeus. A sua genialidade foi fundamental para descobrir que aquele homem era um simples burocrata que obedecia as ordens superiores, um ser comum que tinha família, ia a igreja, tinha cachorros, filhos, uma casa e uma vida como qualquer outra, diferente da visão de muitos que buscavam naquele ser um verdadeiro monstro. Não, ele era como todos nós. Arend faz uma análise do mal não como uma categoria ontológica, não é natural, nem metafísico. O que ela perceba é que o mal é algo histórico, politizado, é produzido por pessoas na qual encontra espaços institucionalizados para perpetrar e difundir algo perverso. Porém não como algo monstruoso na qual as pessoas tenham medo, mas na sua trivialidade. Isto se deve ao esvaziamento do pensamento, neste cenário perfeito a banalidade do mal se alojo e se alastra. As pessoas seguem a lógica perversa do mal, porém sem fundamentos e com atitudes que muitas vezes parecem normais para o cotidiano.
Um exemplo que pode acontecer no nosso cotidiano na qual o mal não está em uma, duas ou algumas pessoas, mas na situação em que ocorre o evento:
Numa pesquisa recente foi demonstrado que a maioria dos brasileiros acham que as mulheres são as maiores culpadas por serem estupradas, que elas até merecem devido ao seu estilo de roupa. Podemos perceber que a falta de fundamentos neste tipo de raciocínio provoca a perpetuação do mal. Pois ao invés de condenarmos com veemência os estupradores, estamos invertendo a lógica e culpando as vítimas. Este tipo de pensamento provoca uma inversão de valores, então aquele que comete o estupro foi incentivado a fazer o ato, pois ele não tinha outra escolha, a moça o provocou?
Este tipo de argumento é o mesmo que apoia atos de violência como as dos justiceiros que estão fazendo justiça com as próprias mãos em vários pontos do país. Ou aqueles que pensam que se os políticos roubam eles também tem o mesmo direito. Ou aqueles que condenam as prostitutas e homossexuais com argumentos moralistas e muitas vezes com práticas neonazistas.
Será que estas pessoas que pensam desta maneira teriam este mesmo pensamento se alguém de sua família fosse estuprada? Ou se acharia normal se um filho fosse julgado pelos justiceiros caso cometesse um crime?
O se estivessem morrendo em hospitais sem serem atendidas por descaso de nossos governantes?
Ou se tiverem algum parente próximo na prostituição ou discriminado e julgado por ser homossexual, será que gostariam que fossem espancados até a morte, são atitudes que grupos neonazistas praticam.
A máxima da ética é: tudo aquilo que você quer para si, deve desejar para todos (sem exceção), tudo aquilo que você não quer para si, deve também não querer para ninguém.
A banalidade do mal está no nosso dia-a-dia, nas nossas opiniões, nas nossas atitudes, no que fazemos e no que deixamos de fazer, na ação e também na omissão, no cumprimento das leis e no seu descumprimento. Devemos a todo momento analisar se estamos realmente fazendo o que é ético. Não devemos ficar neutro, por cima do muro. Isto só demonstra o quanto somos covardes de insensíveis.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Somos todos responsáveis
“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
―Martin Luther King Jr.
―Martin Luther King Jr.
Não vamos nos abster de nossas responsabilidades, devemos entender que os fatos conforme fotos abaixo são exclusivas da ação humana, não vamos tentar retirar de nossas responsabilidades estas tragédias. A nossa omissão leva com que os maus possam fazer todas as atrocidades possíveis. As maquinas de guerra, na qual exterminaram milhões de pessoas, não foram realizadas sem o apoio direto, ou a omissão de toda uma população. Quando votamos, ou não votamos, quando apoiamos determinados partidos políticos, grupos, religiões, enfim tudo que fazemos e acreditamos está relacionado com uma determinada cultura. Devemos entender que que esta cultura que estamos inseridos tem responsabilidades e culpas por tudo aquilo que acontece em nossa sociedade. Devemos então refletir todas as nossas ações e nossas opiniões. Quando pensamos que a violência é a única resposta para a violência estamos apoiando atitudes como as das fotos abaixo. Muitos vivem uma duplicidade, tem um discurso de "amar ao próximo" mas apoiam a violência, o preconceito, a discriminação, a ganância, a corrupção enfim tudo aquilo que causa a discórdia. Buscam a paz divina, mas apoiam o inferno na terra. A ética há muito tempo tem perdido a luta pela ganância do modo de viver capetalista, na qual o dinheiro é a forma de determinação de toda a ação e atitude humana. Esta vida dupla na qual muitos vivem, só me deixa uma convicção: o ser humano, na sua maioria, são egoísta e não vêem na morte alheia algo surpreendente, apenas assistem tudo pela TV e continuam a viver suas vidinhas, esperando o descanso para assistir seu futebol ou sua novela.















terça-feira, 7 de janeiro de 2014
"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte." Nietzsche
Ao
nascermos, somos jogados neste mundo cheio de dementes, loucos, ladrões,
psicopatas, assassinos, estupradores entre outros. O nosso caráter é testado a
todo instante, as nossas reações são colocados a prova em cada instante de
nossa existência. A cada momento passamos por situações que nos proporcionam
reflexão e na maioria das vezes agimos sem pensar e por impulso. Quando
percebemos, já foi, apenas ficamos pensando que aquilo que fizemos foi algo
impensável. Diante de tantas loucuras, de tantas atitudes desumanas e frias, só
nos resta apreendermos com os nossos próprios erros. Viver é mais do que apenas
seguir o que é correto, mas principalmente, não repetirmos os nossos próprios
erros. Nietzsche nos coloca que "o que não provoca minha morte faz com que
eu fique mais forte", sábias palavras, afinal de contas na maioria das
vezes só percebemos o valor das coisas quando perdemos, ou quando vivemos
situações na qual passamos perto da perda. Aquele que já passou por uma
situação de quase morte, após o ocorrido, a vida terá outra conotação, não
ficará preso a pequenas bestialidades cotidianas, o dinheiro com certeza não
será a sua divindade. Não vamos acordar apenas quando passarmos por situações
difíceis, afinal pode acontecer que não tenhamos outra chance. Vemos a todo
instante grandes tragédias, violências por questões banais, intolerância de
toda espécie, falta de diálogo entre outras. Não vamos esperar que coisas ruins
aconteçam para que possamos fazer algo. Levantemos de nossas vidas cômodas e
busquemos viver com responsabilidade não somente com você mesmo, mas com
os outros. Busquemos uma vida autêntica,
caminhemos juntos na árdua e dura trajetória humana, afinal somos seres
sociáveis, jamais conseguiríamos suportar os desafios da natureza sem a união
de todos. Não vamos repetir os nossos erros passados.
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