segunda-feira, 21 de abril de 2014
A vulnerabilidade de nossa razão
Somos seres dotados de inteligência, temos a nossa capacidade de vivermos em culturas múltiplas, temos História, criamos e destruímos grandes colossos, temos sonhos, desejos, angústias, amores, amizade, fraternidade, maldade; enfim somos humanos. Um ser único na face da terra, talvez tenhamos companheiros igual ou mais evoluído em outros confins do Universo, mas voltando para o nosso humilde e simples planeta terra, podemos perceber o quanto somos diferentes de todas as outras especies, mesmo comparados aos nossos parentes mais próximos, os macacos, somos infinitamente superiores no quesito inteligência.
Mas ao introduzir a ideia de evolução, podemos questionar, o que seria esta evolução. O século XX e começo do XXI é talvez o período em que mais houve mudanças científicas e tecnológicas, porém é também o mais sangrento, as guerras e holocaustos provocados por nós tem nos colocados grandes dilemas. Somos seres racionais e ao mesmo tempo não usamos a nossa racionalidade para evitar grandes trajédias, mortes, assassinatos, apoiamos correntes de pensamentos neonazistas, deixamos nossas crianças passarem fome, serem mortas, se drogarem, trabalharem ao invés de estudarem. Nossos idosos serem humilhados, maltratados e deixados a própria sorte. As nossas mulheres, quantas são violentadas e ainda pensamos que isto é culpa delas. Os negros, que no passado recente foram escravizados e que após serem deixados a própria sorte ainda não conseguem se erguerem pois o racismo que muitos ainda acreditam não existir está sendo praticado a todo momento em todo lugar. E os homossexuais que não podem viver suas liberdades sexuais por causa de um moralismo religioso que tem causado ódio, morte e violência, somos ou melhor deveriamos ser um país livre, com liberdade conforme rege nossa constituição. Os índios que foram quase totalmente dizimados na invasão européia do continente deles, hoje tem que lutar para manter suas terras, sua dignidade, suas vidas, fomos contaminados por uma visão capitalista, na qual não conseguimos entender o modo de vida deles, olhamos para a floresta e vemos pastos, olhamos os animais e vemos indústrias e comércio.
Enfim, estamos no alge do conhecimento e ao mesmo tempo da ignorancia, não sabemos utilizar nossa razão para vivermos melhor, somos sugados pela nossa ganancia, nossa forma de viver destruidora e individualista, utilizamos de nossa moral decadente para classificar, julgar e condenar quem achamos que devemos. Até quando iremos viver nessa ignorância, até quando seremos direcionados por atitudes e opiniões que são ditados por uma massa de manobra, como um rebanho que será direcionado para o abate e não fazemos nada, não dizemos não, afinal é comodo ir com a maioria. Até quando seremos este ser mediocre e incapaz de fazer algo que realmente possamos bater no peito e dizer sou um ser humano, o ser mais evoluido de todos os outros animais.
domingo, 30 de março de 2014
Banalização do mal
O Holocausto durante a segunda guerra mundial provocou grandes transformações políticas e no
pensamento ocidental. Israel buscou de várias formas capturar e julgar aqueles que participaram direto e indiretamente deste terrível episódio da história humana. Um destes fugitivos foi Eichmann, ele foi capturado na Argentina da década de 60 e levado para julgamento em solo israelense. Este caso teve uma grande repercussão internacional, sendo transmitidos para vários países. A filosofa Hannah Arendt se interessou pelo caso e virou repórter neste julgamento.
Ela buscava compreender como era a mente de um ser humano que tinha ajudado a matança de milhões de judeus. A sua genialidade foi fundamental para descobrir que aquele homem era um simples burocrata que obedecia as ordens superiores, um ser comum que tinha família, ia a igreja, tinha cachorros, filhos, uma casa e uma vida como qualquer outra, diferente da visão de muitos que buscavam naquele ser um verdadeiro monstro. Não, ele era como todos nós. Arend faz uma análise do mal não como uma categoria ontológica, não é natural, nem metafísico. O que ela perceba é que o mal é algo histórico, politizado, é produzido por pessoas na qual encontra espaços institucionalizados para perpetrar e difundir algo perverso. Porém não como algo monstruoso na qual as pessoas tenham medo, mas na sua trivialidade. Isto se deve ao esvaziamento do pensamento, neste cenário perfeito a banalidade do mal se alojo e se alastra. As pessoas seguem a lógica perversa do mal, porém sem fundamentos e com atitudes que muitas vezes parecem normais para o cotidiano.
Um exemplo que pode acontecer no nosso cotidiano na qual o mal não está em uma, duas ou algumas pessoas, mas na situação em que ocorre o evento:
Numa pesquisa recente foi demonstrado que a maioria dos brasileiros acham que as mulheres são as maiores culpadas por serem estupradas, que elas até merecem devido ao seu estilo de roupa. Podemos perceber que a falta de fundamentos neste tipo de raciocínio provoca a perpetuação do mal. Pois ao invés de condenarmos com veemência os estupradores, estamos invertendo a lógica e culpando as vítimas. Este tipo de pensamento provoca uma inversão de valores, então aquele que comete o estupro foi incentivado a fazer o ato, pois ele não tinha outra escolha, a moça o provocou?
Este tipo de argumento é o mesmo que apoia atos de violência como as dos justiceiros que estão fazendo justiça com as próprias mãos em vários pontos do país. Ou aqueles que pensam que se os políticos roubam eles também tem o mesmo direito. Ou aqueles que condenam as prostitutas e homossexuais com argumentos moralistas e muitas vezes com práticas neonazistas.
Será que estas pessoas que pensam desta maneira teriam este mesmo pensamento se alguém de sua família fosse estuprada? Ou se acharia normal se um filho fosse julgado pelos justiceiros caso cometesse um crime?
O se estivessem morrendo em hospitais sem serem atendidas por descaso de nossos governantes?
Ou se tiverem algum parente próximo na prostituição ou discriminado e julgado por ser homossexual, será que gostariam que fossem espancados até a morte, são atitudes que grupos neonazistas praticam.
A máxima da ética é: tudo aquilo que você quer para si, deve desejar para todos (sem exceção), tudo aquilo que você não quer para si, deve também não querer para ninguém.
A banalidade do mal está no nosso dia-a-dia, nas nossas opiniões, nas nossas atitudes, no que fazemos e no que deixamos de fazer, na ação e também na omissão, no cumprimento das leis e no seu descumprimento. Devemos a todo momento analisar se estamos realmente fazendo o que é ético. Não devemos ficar neutro, por cima do muro. Isto só demonstra o quanto somos covardes de insensíveis.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Somos todos responsáveis
“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
―Martin Luther King Jr.
―Martin Luther King Jr.
Não vamos nos abster de nossas responsabilidades, devemos entender que os fatos conforme fotos abaixo são exclusivas da ação humana, não vamos tentar retirar de nossas responsabilidades estas tragédias. A nossa omissão leva com que os maus possam fazer todas as atrocidades possíveis. As maquinas de guerra, na qual exterminaram milhões de pessoas, não foram realizadas sem o apoio direto, ou a omissão de toda uma população. Quando votamos, ou não votamos, quando apoiamos determinados partidos políticos, grupos, religiões, enfim tudo que fazemos e acreditamos está relacionado com uma determinada cultura. Devemos entender que que esta cultura que estamos inseridos tem responsabilidades e culpas por tudo aquilo que acontece em nossa sociedade. Devemos então refletir todas as nossas ações e nossas opiniões. Quando pensamos que a violência é a única resposta para a violência estamos apoiando atitudes como as das fotos abaixo. Muitos vivem uma duplicidade, tem um discurso de "amar ao próximo" mas apoiam a violência, o preconceito, a discriminação, a ganância, a corrupção enfim tudo aquilo que causa a discórdia. Buscam a paz divina, mas apoiam o inferno na terra. A ética há muito tempo tem perdido a luta pela ganância do modo de viver capetalista, na qual o dinheiro é a forma de determinação de toda a ação e atitude humana. Esta vida dupla na qual muitos vivem, só me deixa uma convicção: o ser humano, na sua maioria, são egoísta e não vêem na morte alheia algo surpreendente, apenas assistem tudo pela TV e continuam a viver suas vidinhas, esperando o descanso para assistir seu futebol ou sua novela.















terça-feira, 7 de janeiro de 2014
"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte." Nietzsche
Ao
nascermos, somos jogados neste mundo cheio de dementes, loucos, ladrões,
psicopatas, assassinos, estupradores entre outros. O nosso caráter é testado a
todo instante, as nossas reações são colocados a prova em cada instante de
nossa existência. A cada momento passamos por situações que nos proporcionam
reflexão e na maioria das vezes agimos sem pensar e por impulso. Quando
percebemos, já foi, apenas ficamos pensando que aquilo que fizemos foi algo
impensável. Diante de tantas loucuras, de tantas atitudes desumanas e frias, só
nos resta apreendermos com os nossos próprios erros. Viver é mais do que apenas
seguir o que é correto, mas principalmente, não repetirmos os nossos próprios
erros. Nietzsche nos coloca que "o que não provoca minha morte faz com que
eu fique mais forte", sábias palavras, afinal de contas na maioria das
vezes só percebemos o valor das coisas quando perdemos, ou quando vivemos
situações na qual passamos perto da perda. Aquele que já passou por uma
situação de quase morte, após o ocorrido, a vida terá outra conotação, não
ficará preso a pequenas bestialidades cotidianas, o dinheiro com certeza não
será a sua divindade. Não vamos acordar apenas quando passarmos por situações
difíceis, afinal pode acontecer que não tenhamos outra chance. Vemos a todo
instante grandes tragédias, violências por questões banais, intolerância de
toda espécie, falta de diálogo entre outras. Não vamos esperar que coisas ruins
aconteçam para que possamos fazer algo. Levantemos de nossas vidas cômodas e
busquemos viver com responsabilidade não somente com você mesmo, mas com
os outros. Busquemos uma vida autêntica,
caminhemos juntos na árdua e dura trajetória humana, afinal somos seres
sociáveis, jamais conseguiríamos suportar os desafios da natureza sem a união
de todos. Não vamos repetir os nossos erros passados.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
"O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem, uma corda por cima do abismo."Nietzsche
A vida é mais do que simplesmente sobreviver, o ser humano necessita de algo além da pura e simples sobrevivência. Somos seres dotados de inteligência e de capacidade de destruir mitos e ilusões, somos os únicos seres que tem como base de sua sobrevivência a cultura. Somente o homem tem história, os demais animais nascem e se comportam da mesma maneira em qualquer lugar do planeta em qualquer época. Nós não, quando nascemos entramos num mundo que está em construção, isto nos proporciona a capacidade de criar, viver, acreditar, desacreditar, desconstruir, enfim podemos aceitar este mundo do jeito que é, viver de acordo com a moral vigente ou simplesmente romper com (se quisermos) tudo, nada fica de pé sem que queiramos. A nossa capacidade está muito além de viver uma vida mediocre e com tendência para apenas aceitar e continuar levando a vida como está. As pessoas que não tem um senso crítico da realidade, não conseguem viver além da seu ângulo de visão, muitos são apenas marionetes de pessoas e grupos na qual estão inseridos ou que tem como base a moral destes grupos. viver uma vida autêntica é simplesmente romper com tudo aquilo que te faça ser apenas um ser mediocre, uma vida banalizada na ignorância e na incapacidade de crescer intelectualmente. Ao não aceitarmos esta condição estamos vivendo como qualquer outro animal, que simplesmente vivem por instinto. Somos a própria história, criamos e destruimos a nossa cultura, entramos em contradição a todo momento, erramos, caimos e levantamos. Somos Humano, demasiadamente humano.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
A internet como ferramenta de liberdade e transformação
Vivemos no auge da informação, da interação em nível global, a internet e as redes sociais nos proporcionam uma condição jamais vista antes na história humana, em questão de minutos podemos ter acesso a um acervo que antes só era vista por um pequeno grupo privilegiado, bibliotecas como as de Londres, Nova Yorque, Roma, Tóquio, Cairo, enfim qualquer lugar do planeta (atualmente a maioria dos países disponibilizam informações na rede). Afinal de contas podemos ler milhares de livros, artigos, blogs, jornais, admirar obras de arte como pinturas de Monet, Van Gogh, Picasso, Chagall entre outros, grandes livros como as obras de Darwin, Freud, Marx, Nietzsche, Platão entre outros, grandes óperas, músicas em geral, teatro, cinema, enfim quase tudo está na rede mundial de computadores, basta ter interesse e pesquisar. Além de termos acesso a esta imensidade de informações e obras, também podemos criar nossos textos, filmes, músicas , obras em geral. Deixamos de ser somente espectadores e passamos na condição de atores. Basta uma idéia e um acesso ao computador para produzirmos o que quiser, claro com responsabilidade. Nossas ações e palavras têm vez e voz, estamos na direção da história, em questão de pouco tempo podemos sair do anonimato e virar celebridades, basta cair no gosto dos internautas e aquilo que você produzir ter inúmeros acessos. As manifestações ocorridas no Brasil em junho deste ano demonstraram um ator diferente na nossa História, as redes sociais. Acredito que as gerações anteriores sentiam as mesmas revoltas que as atuais, porém as ferramentas desta nova geração é mais dinâmica e democrática, não dependemos de uma estrutura piramidal para que as revoltas aconteçam, além disto é mais fácil para aqueles que detêm o poder romper com as revoltas na condição piramidal. Hoje as revoltas são alastradas na horizontal, as forças são distribuídas em milhares de focos, já não dependemos mais de um líder nato, como Lênin ou Che, somos todos lideres de pequenos núcleos, ao repassar os sentimentos de revolta pelas redes sociais. Esta lógica de poder descentralizado dificulta e se torna impossível para ser quebrada pelos poderosos, afinal onde está a liderança, em todo lugar e a todo momento. Todos são interligados por uma rede que vai se alastrando, quando se acha que rompeu uma parte as outras crescem e interligam novamente. Outra questão, quando há um sentimento de revolta, basta apenas um motivo, mesmo sendo algo aparentemente banal, como um preço alto em algum produto, após esta centelha, a chama se alastra e não há como prever o final, ele não tem mais volta, perde o controle e se torna uma revolta generalizada, basta um click e em questão e minutos o mundo está acompanhando, compartilhando ou repulsando imagens, eventos, acontecimentos. A chamada primavera árabe nada mais é do que este alastramento de uma revolta que estava encubada em cada um ser vivo daqueles países dominados por décadas de ditaduras. O que fez a diferença? A rede social, em poucos meses ditaduras e ditadores que antes eram praticamente imbatíveis caíram como frutas podre no pé.
O brasileiro, mistura de três povos: índigena, africano e português
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