quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
"O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem, uma corda por cima do abismo."Nietzsche
A vida é mais do que simplesmente sobreviver, o ser humano necessita de algo além da pura e simples sobrevivência. Somos seres dotados de inteligência e de capacidade de destruir mitos e ilusões, somos os únicos seres que tem como base de sua sobrevivência a cultura. Somente o homem tem história, os demais animais nascem e se comportam da mesma maneira em qualquer lugar do planeta em qualquer época. Nós não, quando nascemos entramos num mundo que está em construção, isto nos proporciona a capacidade de criar, viver, acreditar, desacreditar, desconstruir, enfim podemos aceitar este mundo do jeito que é, viver de acordo com a moral vigente ou simplesmente romper com (se quisermos) tudo, nada fica de pé sem que queiramos. A nossa capacidade está muito além de viver uma vida mediocre e com tendência para apenas aceitar e continuar levando a vida como está. As pessoas que não tem um senso crítico da realidade, não conseguem viver além da seu ângulo de visão, muitos são apenas marionetes de pessoas e grupos na qual estão inseridos ou que tem como base a moral destes grupos. viver uma vida autêntica é simplesmente romper com tudo aquilo que te faça ser apenas um ser mediocre, uma vida banalizada na ignorância e na incapacidade de crescer intelectualmente. Ao não aceitarmos esta condição estamos vivendo como qualquer outro animal, que simplesmente vivem por instinto. Somos a própria história, criamos e destruimos a nossa cultura, entramos em contradição a todo momento, erramos, caimos e levantamos. Somos Humano, demasiadamente humano.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
A internet como ferramenta de liberdade e transformação
Vivemos no auge da informação, da interação em nível global, a internet e as redes sociais nos proporcionam uma condição jamais vista antes na história humana, em questão de minutos podemos ter acesso a um acervo que antes só era vista por um pequeno grupo privilegiado, bibliotecas como as de Londres, Nova Yorque, Roma, Tóquio, Cairo, enfim qualquer lugar do planeta (atualmente a maioria dos países disponibilizam informações na rede). Afinal de contas podemos ler milhares de livros, artigos, blogs, jornais, admirar obras de arte como pinturas de Monet, Van Gogh, Picasso, Chagall entre outros, grandes livros como as obras de Darwin, Freud, Marx, Nietzsche, Platão entre outros, grandes óperas, músicas em geral, teatro, cinema, enfim quase tudo está na rede mundial de computadores, basta ter interesse e pesquisar. Além de termos acesso a esta imensidade de informações e obras, também podemos criar nossos textos, filmes, músicas , obras em geral. Deixamos de ser somente espectadores e passamos na condição de atores. Basta uma idéia e um acesso ao computador para produzirmos o que quiser, claro com responsabilidade. Nossas ações e palavras têm vez e voz, estamos na direção da história, em questão de pouco tempo podemos sair do anonimato e virar celebridades, basta cair no gosto dos internautas e aquilo que você produzir ter inúmeros acessos. As manifestações ocorridas no Brasil em junho deste ano demonstraram um ator diferente na nossa História, as redes sociais. Acredito que as gerações anteriores sentiam as mesmas revoltas que as atuais, porém as ferramentas desta nova geração é mais dinâmica e democrática, não dependemos de uma estrutura piramidal para que as revoltas aconteçam, além disto é mais fácil para aqueles que detêm o poder romper com as revoltas na condição piramidal. Hoje as revoltas são alastradas na horizontal, as forças são distribuídas em milhares de focos, já não dependemos mais de um líder nato, como Lênin ou Che, somos todos lideres de pequenos núcleos, ao repassar os sentimentos de revolta pelas redes sociais. Esta lógica de poder descentralizado dificulta e se torna impossível para ser quebrada pelos poderosos, afinal onde está a liderança, em todo lugar e a todo momento. Todos são interligados por uma rede que vai se alastrando, quando se acha que rompeu uma parte as outras crescem e interligam novamente. Outra questão, quando há um sentimento de revolta, basta apenas um motivo, mesmo sendo algo aparentemente banal, como um preço alto em algum produto, após esta centelha, a chama se alastra e não há como prever o final, ele não tem mais volta, perde o controle e se torna uma revolta generalizada, basta um click e em questão e minutos o mundo está acompanhando, compartilhando ou repulsando imagens, eventos, acontecimentos. A chamada primavera árabe nada mais é do que este alastramento de uma revolta que estava encubada em cada um ser vivo daqueles países dominados por décadas de ditaduras. O que fez a diferença? A rede social, em poucos meses ditaduras e ditadores que antes eram praticamente imbatíveis caíram como frutas podre no pé.
O brasileiro, mistura de três povos: índigena, africano e português
A escola como reprodutora das desigualdades sociais e legitimadora da pobreza
De acordo com a visão funcionalista a educação durante muito tempo tinha como uma de suas características uma visão otimista, uma análise romântica do processo de ensino aprendizagem. A escola tinha (e em muitas análises ainda tem) como principal foco a ascensão social, a diminuição da pobreza, da desigualdade social, o fim do autoritarismo e a busca de privilégios que antes eram adquiridos somente pela classe dominante. Atualmente esta visão é amplamente divulgada pelo senso comum e pelos grupos políticos. Através desta visão todos terão como mudar as estruturas da classe dominante através do acesso à educação, o conhecimento iria libertar os mais necessitados deste processo vicioso de pobreza. Todos em iguais condições buscam uma vida mais igualitária. Nesta perspectiva a escola estaria na condição de neutralidade, todos competiriam em condições de igualdade. Pierre Bourdieu faz duras críticas ao funcionalismo e busca compreender as relações na educação numa perspectiva cultural. Ele faz uma verdadeira revolução no conhecimento, com uma análise crítica e nova. Enquanto no funcionalismo via-se superação das desigualdades sociais, ascensão social, justiça social, nas análises de Bourdieu passa a ver como reprodução das desigualdades sociais, legitimação da pobreza. De acordo com Bourdieu a educação que era vista como o caminho da superação da desigualdade social passa a ser a legitimadora desta sociedade excludente. Nas suas análises o indivíduo é um ator que se deve temer em consideração os mínimos detalhes, a sua individualidade sem desconsiderar a sua socialização. A vida íntima do indivíduo deve ser levada em consideração. Se de um lado Bourdieu afasta-se do subjetivismo, por outro lado ele critica as abordagens estruturais, definidas por ele como objetiva. Para Bourdieu, o indivíduo ao viver num ambiente familiar, numa estrutura social incorporaria habitus familiares, com isto iria conduzi-lo durante sua vida nos mais diversos ambientes. A palavra habitus evita alguns riscos, referindo-se à incorporação de uma determinada estrutura social pelos indivíduos, influenciando decisivamente em seu modo de agir, sentir, pensar de forma que se inclinavam a confirmação e a reprodução, mesmo sem ter a consciência Ele nega o caráter autônomo do indivíduo. Apesar de todas as críticas, Bourdieu fez uma análise extremamente importante para a desconstrução de conceitos e visões românticas do processo educacional, a questão cultural deve ser analisada juntamente com as econômicas e sociais. A instituição educacional não é neutra, a idéia de igualdade é quebrada por ele, alguns estariam numa condição mais favorável do que outros, muitas vezes de forma implícita. Ele mostra o domínio da cultura escolar por um grupo dominante. A idéia do mérito pessoal é rompida por uma visão mais problematizada e com fortes influências, discursos da classe dominante, Bourdieu procurou não só analisar as questões macros sociais, mas sim buscar nos micros sociais explicações de suas análises.
A indústria Cultural no Brasil
A sociedade brasileira tem passado por grandes transformações políticas, econômicas e culturais nos últimos 30 anos. A redemocratização proporcionou avanços e retrocessos nas questões relacionadas ao mundo cultural. Como avanços, podemos exemplificar a democratização e a universalização da cultura, estamos vivendo um momento em que todos podem criar e divulgar suas obras artísticas, afinal a internet está a disposição de todos, obras de grandes artistas, músicas praticamente extintas das prateleiras das grandes lojas, eventos culturais que eram para poucos, enfim com as novas tecnologias alavancadas pela internet estamos todos informados sobre praticamente quase tudo da nossa cultura e de todo o mundo. Por outro lado a indústria cultural também se apropriou destas transformações, os nossos valores, a nossa música, as nossas danças, os nossos filmes, teatro, enfim tudo virou mercadoria de consumo. Filmes que são alvos fáceis desta lógica como Tropa de Elite 1 e 2, Se eu fosse você 1 e 2 entre outros transformaram nosso cinema numa máquina de arrecadar dinheiro. Com investimentos altos, inclusive estatais, enquanto a maioria dos filmes passa por dificuldades para conseguir emplacar ou mesmo após a criação tem dificuldades em ser inseridos nas salas de cinema. Há inúmeros filmes em que são produzidos com valores baixos mas com alta qualidade, porém a lógica do capitalismo colocam alguns filmes com praticamente quase todo os investimentos e propagandas, o lucro prevalece sobre a qualidade. Diante deste cenário de democratização, universalização, avanço sem limite da industria cultural, cabe a cada um buscar elementos culturais de boa qualidade, evitando que a propaganda e o marketing prevaleçam sobre os demais.
A construção da nação brasileira
A construção de uma nação está relacionada diretamente com os grandes eventos e os personagens classificados como heróis que em sua maioria são forjados para dar um sentido e uma motivação na construção de uma nação, no Brasil foram classificados como heróis Tiradentes, Duque de Caxias, Zumbi até mesmo figuras controversas como Getúlio Vargas entre outros. Foi justamente no período de Vargas que se criou o personagem Zé Carioca, um exemplo de “malandro” preguiçoso, cachaceiro, trapaceiro e apaixonado por samba. Personagem criado por Walt Disney para que os EUA pudessem manter o Brasil como aliado em plena Segunda Guerra Mundial. Este estereótipo de brasileiro acaba demonstrando uma visão destorcida da diversidade cultural de nossa nação. O Brasil deve ser classificado levando em consideração as suas diferentes culturas, até mesmo em um mesmo espaço geográfico encontramos uma gama enorme de etnias, diferentes povos vindos de várias partes do país, cada um com sua forma de viver. Nesta diversidade é errôneo fazer um modelo de brasileiro, mesmo que o estereótipo do Zé Carioca fosse um autêntico carioca, não poderíamos dar uma definição de representante da nossa nação. Estereótipos como este colocam o brasileiro como sendo malandro, preguiçoso, que acaba se dando bem com as suas tramóias, é o famoso jeitinho brasileiro. O brasileiro é muito mais do que isto, não cabe rotular a todos com estas características, é um povo trabalhador, sofredor, que em muitos casos buscam uma forma de viver autêntica e com ética. Sabemos a importância da cultura na formação da nação, mas também não podemos deixar que estereótipos nos classifiquem de acordo com interesses alheios, ou visões distorcidas de nações dominantes, como os EUA. Não cabe a governos ditadores e países com forte tendência em nos estereotipar como passivo e pacato isto dá uma tranqüilidade para que os mesmos façam da nossa política os interesses próprios e não interesses nacionais. Devemos buscar na diversidade cultural de nosso povo a construção da nossa identidade, mesclar as nossas qualidades, tradições, o nosso sofrimento, nossas riquezas, cultura, religião, música, dança enfim tudo aquilo que possa nos identificar como brasileiros.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Os conflitos de identidade dentro dos muros da escola
Ao verificarmos os conflitos e as relações de identidades dentro dos muros da escola, percebemos o quanto é fundamental a compreensão e o entendimento de todos os envolvidos neste espaço social. Cabe ao professor e num âmbito mais generalizado, no caso a escola, efetuar trabalhos e buscar dentro da literatura acadêmica a parte teórica que irá dar suporte para o direcionamento dos trabalhos dentro da sala de aula.
É complicado e ao mesmo
tempo é a própria essência humana os conflitos de identidade, jamais devemos buscar
demonizar algumas identidades e colocar outras como o centro das atenções. A
construção das identidades se deve na relação dia-a-dia entre alunos-alunos,
alunos-professor.
A
relação entre estas identidades geram novas identidades que são frutos da
síntese das identidades em conflitos, a escola neste ponto se torno um local
singular. As lutas destes diferentes grupos culturais e sociais em muitos casos
acontecem de forma violenta ou discriminatória, com repercussões que
ultrapassam a instituição educacional e reverbera nas relações extraclasses,
pois há uma tentativa de sobrepor determinados grupos com relação a outros, há
uma discriminação por parte de grupos considerados minoritários.
A
escola não pode fugir destas questões, os dilemas e perguntas que surgem nesta
relação devem ser discutidas e evidenciadas pelo professor, a escola apesar de
não estar totalmente preparada para estas discussões, deve buscar colocar no
seu quadro de disciplinas trabalhos, palestras, seminários e eventos que se não
conseguirem acabar com as discriminações, pelo menos cria um início de mudanças
que em muitos casos são estruturais.
Não
somente a escola mas também os trabalhos que são na esfera de governos
federais, mudanças nas leis, campanhas educativas, proteção para os grupos
minoritários, enfim a busca de mudanças devem pautar-se numa relação mais
ampla.
Os
professores e profissionais na área educacional devem entender que eles não
irão acabar com os problemas, nem muito menos mudar a realidade, porém devem
compreender que uma das instituições que são essenciais para o início das
transformações sociais é a educação, o espaço educacional é um dos pilares da
manutenção ou transformação da cultura atualmente, sendo a principal e com
maior competência para trabalhar estes temas, não significando que irá
resolver, mas que todos possam viver em harmonia e ao mesmo tempo em sintonia o
diferente.
Cabe
ao professor identificar os próprios gostos e preferências, conhecer
habilidades, limites, frustrações, angústias, sonhos, reconhecer como cada
aluno é um indivíduo único, no meio de tantos outros que são também únicos.
Este processo busca um autoconhecimento dos professores e também de cada um dos
alunos, por isto é fundamental o conhecimento da história de vida de todos os
envolvidos neste cenário, deste o nascimento até os dias atuais. Cabe a escola
o papel fundamental na construção das identidades e na autonomia de cada um dos
alunos.
O
espaço escolar se torna de fundamental importância na mudança das atitudes,
afinal é o ambiente propicio para os questionamentos, as mudanças de
mentalidade e culturalmente, buscando transformar os alunos em cidadãos que
respeitam e convivem harmoniosamente com os seus semelhantes, é neste ambiente
de aprendizagem que se desconstrói inúmeros equívocos históricos, na qual o
preconceito, a discriminação, o racismo acontece descaradamente e muitos casos
velado. Devemos como professor a colocação de um modelo de ser humano que
queremos ver na construção de nossa sociedade.
Conforme
analisou Gramsci a
educação é uma das instituições que é de fundamental importância para as mudanças
estruturais de nossa sociedade, segundo este pensador, os governos não
conseguiriam fazer estas mudanças, devido a contaminação por parte de
ideologias dominantes.
Mesmo
a escola sendo um instrumento de dominação dos poderosos, e na sua relação cotidiana
que crescerá o início das mudanças, em alguns casos será lenta, porém
constante.
Em muitos casos poderemos perceber com mais
rapidez, não podemos esquecer das grandes mudanças que estão em voga devido as
novas formas de comunicação e rede sociais, algo impensável está acontecendo como
por exemplo: as revoltas contra governos ditatórias no Norte da África e
Oriente Médio, conflitos na qual foram conhecidos como primavera árabe, além
das revoltas na Europa por causa da crise econômica e as de junho no Brasil.
Todas estas revoltas tem em comum a questão das novas mídias, as novas formas
de comunicação no caso as redes sociais.
A
escola entra neste processo, pois afinal de contas a maioria dos alunos já
estão inseridos nesta nova forma de convivência, as coisas se tornaram
dinâmicas e rápidas, os professores que não se renovarem tanto na questão do
conhecimento, quanto na didática irá sofrer para conseguir lecionar.
Não
basta deter o conhecimento das novas identidades, mas também compreender a
forma na qual elas se interagem e os novos meios em que são dissipadas e
vivenciadas. Já não podemos falar de grupos isolados com identidades próprias,
mas uma mescla de vivência.
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