segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A construção da nação brasileira


A construção de uma nação está relacionada diretamente com os grandes eventos e os personagens classificados como heróis que em sua maioria são forjados para dar um sentido e uma motivação na construção de uma nação, no Brasil foram classificados como heróis Tiradentes, Duque de Caxias, Zumbi até mesmo figuras controversas como Getúlio Vargas entre outros. Foi justamente no período de Vargas que se criou o personagem Zé Carioca, um exemplo de “malandro” preguiçoso, cachaceiro, trapaceiro e apaixonado por samba. Personagem criado por Walt Disney para que os EUA pudessem manter o Brasil como aliado em plena Segunda Guerra Mundial. Este estereótipo de brasileiro acaba demonstrando uma visão destorcida da diversidade cultural de nossa nação. O Brasil deve ser classificado levando em consideração as suas diferentes culturas, até mesmo em um mesmo espaço geográfico encontramos uma gama enorme de etnias, diferentes povos vindos de várias partes do país, cada um com sua forma de viver. Nesta diversidade é errôneo fazer um modelo de brasileiro, mesmo que o estereótipo do Zé Carioca fosse um autêntico carioca, não poderíamos dar uma definição de representante da nossa nação. Estereótipos como este colocam o brasileiro como sendo malandro, preguiçoso, que acaba se dando bem com as suas tramóias, é o famoso jeitinho brasileiro. O brasileiro é muito mais do que isto, não cabe rotular a todos com estas características, é um povo trabalhador, sofredor, que em muitos casos buscam uma forma de viver autêntica e com ética. Sabemos a importância da cultura na formação da nação, mas também não podemos deixar que estereótipos nos classifiquem de acordo com interesses alheios, ou visões distorcidas de nações dominantes, como os EUA. Não cabe a governos ditadores e países com forte tendência em nos estereotipar como passivo e pacato isto dá uma tranqüilidade para que os mesmos façam da nossa política os interesses próprios e não interesses nacionais. Devemos buscar na diversidade cultural de nosso povo a construção da nossa identidade, mesclar as nossas qualidades, tradições, o nosso sofrimento, nossas riquezas, cultura, religião, música, dança enfim tudo aquilo que possa nos identificar como brasileiros.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Os conflitos de identidade dentro dos muros da escola

Os registros orientaram a reorganização dos espaços na EE Coronel João Pedro, em Pedreira (SP). Foto: Marina Piedade
Ao verificarmos os conflitos e as relações de identidades dentro dos muros da escola, percebemos o quanto é fundamental a compreensão e o entendimento de todos os envolvidos neste espaço social. Cabe ao professor e num âmbito mais generalizado, no caso a escola, efetuar trabalhos e buscar dentro da literatura acadêmica a parte teórica que irá dar suporte para o direcionamento dos trabalhos dentro da sala de aula.
É complicado e ao mesmo tempo é a própria essência humana os conflitos de identidade, jamais devemos buscar demonizar algumas identidades e colocar outras como o centro das atenções. A construção das identidades se deve na relação dia-a-dia entre alunos-alunos, alunos-professor.
A relação entre estas identidades geram novas identidades que são frutos da síntese das identidades em conflitos, a escola neste ponto se torno um local singular. As lutas destes diferentes grupos culturais e sociais em muitos casos acontecem de forma violenta ou discriminatória, com repercussões que ultrapassam a instituição educacional e reverbera nas relações extraclasses, pois há uma tentativa de sobrepor determinados grupos com relação a outros, há uma discriminação por parte de grupos considerados minoritários.
A escola não pode fugir destas questões, os dilemas e perguntas que surgem nesta relação devem ser discutidas e evidenciadas pelo professor, a escola apesar de não estar totalmente preparada para estas discussões, deve buscar colocar no seu quadro de disciplinas trabalhos, palestras, seminários e eventos que se não conseguirem acabar com as discriminações, pelo menos cria um início de mudanças que em muitos casos são estruturais.
Não somente a escola mas também os trabalhos que são na esfera de governos federais, mudanças nas leis, campanhas educativas, proteção para os grupos minoritários, enfim a busca de mudanças devem pautar-se numa relação mais ampla.
Os professores e profissionais na área educacional devem entender que eles não irão acabar com os problemas, nem muito menos mudar a realidade, porém devem compreender que uma das instituições que são essenciais para o início das transformações sociais é a educação, o espaço educacional é um dos pilares da manutenção ou transformação da cultura atualmente, sendo a principal e com maior competência para trabalhar estes temas, não significando que irá resolver, mas que todos possam viver em harmonia e ao mesmo tempo em sintonia o diferente.
Cabe ao professor identificar os próprios gostos e preferências, conhecer habilidades, limites, frustrações, angústias, sonhos, reconhecer como cada aluno é um indivíduo único, no meio de tantos outros que são também únicos. Este processo busca um autoconhecimento dos professores e também de cada um dos alunos, por isto é fundamental o conhecimento da história de vida de todos os envolvidos neste cenário, deste o nascimento até os dias atuais. Cabe a escola o papel fundamental na construção das identidades e na autonomia de cada um dos alunos.
O espaço escolar se torna de fundamental importância na mudança das atitudes, afinal é o ambiente propicio para os questionamentos, as mudanças de mentalidade e culturalmente, buscando transformar os alunos em cidadãos que respeitam e convivem harmoniosamente com os seus semelhantes, é neste ambiente de aprendizagem que se desconstrói inúmeros equívocos históricos, na qual o preconceito, a discriminação, o racismo acontece descaradamente e muitos casos velado. Devemos como professor a colocação de um modelo de ser humano que queremos ver na construção de nossa sociedade.
Conforme analisou Gramsci a educação é uma das instituições que é de fundamental importância para as mudanças estruturais de nossa sociedade, segundo este pensador, os governos não conseguiriam fazer estas mudanças, devido a contaminação por parte de ideologias dominantes.
Mesmo a escola sendo um instrumento de dominação dos poderosos, e na sua relação cotidiana que crescerá o início das mudanças, em alguns casos será lenta, porém constante.
 Em muitos casos poderemos perceber com mais rapidez, não podemos esquecer das grandes mudanças que estão em voga devido as novas formas de comunicação e rede sociais, algo impensável está acontecendo como por exemplo: as revoltas contra governos ditatórias no Norte da África e Oriente Médio, conflitos na qual foram conhecidos como primavera árabe, além das revoltas na Europa por causa da crise econômica e as de junho no Brasil. Todas estas revoltas tem em comum a questão das novas mídias, as novas formas de comunicação no caso as redes sociais.
A escola entra neste processo, pois afinal de contas a maioria dos alunos já estão inseridos nesta nova forma de convivência, as coisas se tornaram dinâmicas e rápidas, os professores que não se renovarem tanto na questão do conhecimento, quanto na didática irá sofrer para conseguir lecionar.
Não basta deter o conhecimento das novas identidades, mas também compreender a forma na qual elas se interagem e os novos meios em que são dissipadas e vivenciadas. Já não podemos falar de grupos isolados com identidades próprias, mas uma mescla de vivência.


A sociedade pós moderna e as transformações na sala de aula

A sociedade pós-moderna está passando por grandes transformações nas suas inúmeras concepções, a escola não poderia ficar de fora, afinal ela é um dos pilares da construção da humanidade. O que nos diferenciam dos demais seres vivos é a capacidade de construirmos nossa história e através dela podemos ensinar os demais seres humanos os nossos conhecimentos, com isto disseminamos nossas habilidades e construímos uma sociedade com maior capacidade de sobreviver neste mundo repleto de conflitos, dificuldades e obstáculos.
A sociedade atual está num processo de mudança rápida na sua concepção, os pilares dessa sociedade que são a família, a escola, a igreja, os partidos políticos entre outros, buscam se ajustarem dentro desta rapidez, conforme esta gama de concepção enquanto seres que necessitam de uma unidade para sobreviverem. Crescem a todo o momento as chamadas tribos urbanas, são grupos de pessoas que passam a se identificarem uns com os outros através das roupas, forma de andar, músicas, religião entre outros, estas tribos buscam se afirmarem e tentam ganhar espaço a todo o momento, mesmo que para isto passam a discriminar e atacar os demais grupos, um exemplo que está em evidencia são os chamados neo-nazistas, grupos que pregam o ódio e a discriminação de outros grupos como os negros, índios, nordestinos, homossexuais e mulheres.   
 Como a escola está inserida neste contexto, as diferenças entre cada um dos alunos são evidenciadas através das falas, formas de andar, danças, roupas, gírias e nas suas conversas e reuniões entre os grupos, que na sua maioria tem uma forte tendência a seguir os grupos de fora dos muros da escola.
As identidades destes grupos são colocadas em conflitos ao se agruparem em um mesmo local, no caso a escola, as diferenças são evidenciadas e os choques de interesse são cada vez mais destacados. E é justamente neste ambiente em que se agrupam estas turmas que os professores e os demais integrantes da escola tem um papel fundamental. Como conseguir uma unidade, uma síntese deste multiculturalismo dentro de um ambiente tão conflitante que são as salas de aula.
Ao compreendermos este conflito, podemos nos colocar como árbitros desta situação, mostrando que é normal sermos diferentes uns dos outros, não podemos jamais querer que o outro seja igual a cada um de nós. Somos tão diferentes que buscamos nos unir para nos firmarmos como um grupo, para que possamos nos comunicar e demonstrar nossas angústias e concepções de vida. Vivemos tão intensamente nossas diferenças que necessitamos de alguém para nos desabafar e colocar nossos questionamentos para que possamos viver em harmonia conosco e com os outros.
Esta sociedade líquida busca nas suas inúmeras formas de se relacionar, uma maneira de conseguir se sobressair diante dos dilemas em que a humanidade se encontra. Como sobreviver na riqueza e a extrema pobreza, como conciliarmos o crescimento acelerado de nossa forma de viver e a conservação do meio ambiente, como viver em paz se a cada momento estamos construindo mais armas e de alta tecnologia, como curar doenças que são mortíferas e ao mesmo tempo não conseguimos ter uma vida saudável,  como entender o outro se não conseguimos entender a nós mesmos.
Vivemos numa sociedade egoísta e consumista, avaliamos o outro não pelo seu caráter, mas pelos seus bens materiais, julgamos pela aparência, buscamos grupos que nos possam dar algo material, mesmo que seja ilusão. Estes dilemas são refletidos na sala de aula, os grupos minoritários são discriminados e deixados de lado, os alunos buscam se juntarem com grupos que lhes dão evidência, evitam com isto aqueles grupos na qual tem que lutar para sobreviver, são poucos aqueles que continuam a lutar pela sua identidade, afinal a humilhação, os conflitos e as conseqüências são muito doloridas. Desta forma grupos que são de caráter majoritário, que estão em evidência na mídia, são colocados como  exemplos a serem seguidos. A tradição, os costumes e os grupos minoritários são jogados a margem desta sociedade. Infelizmente nossa sociedade está a todo instante se massificando, estamos saindo de uma sociedade heterogênea para uma homogênea, na qual a forma de vida capitalista está prevalecendo sobre os grupos minoritários.
   Cabe aos professores, se não podem evitar esta tendência, pelo menos expor e mostrar aos alunos as diferenças e as diversas formas de identidades, que todos não podem ser hierarquizados, mas sim viverem com respeito mútuo.

Pós modernidade conturbada: Bauman e o conceito de Modernidade Líquida


Dentro da pós modernidade a questão da identidade é profundamente afetada nas relações pessoais dentro das culturas em todo o planeta. Diante da rapidez das mudanças que estão em voga, principalmente através das novas tecnologias, as identidades sofrem grandes transformações, já não podemos falar em culturas intocáveis, ou preservação total de uma determinada etnia. Diretamente ou indiretamente através de guerras, política e degradação do meio ambiente as diversas culturas estão a todo momento num processo de transformação.
Mesmo aquelas etnias que estão isoladas da sociedade industrializada e que em muitos casos nunca tiveram contatos com o homem branco sofrem influências de nossa cultura que a cada dia está mais global. Conforme as análises de Stuart Hall houve uma profunda crise na questão da identidade no período da pós-modernidade.
 Seguindo as análises de Hall, ao longo da história podemos observar um deslocamento da concepção de sujeito com identidade definida, como no período iluminista com forte tendência na racionalidade, buscando na concepção racional uma essência da sua identidade. Num segundo momento surge o sujeito sociológico, sendo um sujeito com forte ligação com o meio social em que vive, a sociedade está ligada diretamente com a sua identidade.
Já no momento atual o sujeito pós-moderno é definido como alguém que não tem uma identidade própria, uma definição exata de sua concepção enquanto sujeito social. Bauman refere como uma sociedade líquida a atual fase em que passa a  sociedade pós moderna. As nossas identidades sociais, culturais e religiosas entre outras não são mais rígidas, nosso pertencimento se tornou flexível e diversificado, os valores que antes eram tidos como imutáveis se tornaram frágeis e flexíveis. Passamos de uma sociedade em que os valores que antes eram inegociáveis para uma de valores negociáveis.
Ninguém escapa desta diversidade cultural, somos todos de uma intensidade menor ou maior de pertencimento a várias culturas e identidades. Um bom exemplo seria algo como: um rapaz é filho de um descendente de escravos vindos do Benin no continente  africano, a mãe é descendente de Italianos. Ele gosta de usar rastafári da cultura jamaicana, gosta de escutar músicas do U2 uma banda irlandesa, assiste filmes hollywoodianos norte americano, tem tapetes fabricados no Irã, toma chimarrão da cultura do sul da América do sul, fuma um charuto cubano, usa um cachecol de palavra francesa que surgiu em Roma, anda num carro fabricado na Alemanha, montado no Brasil, com peças do Japão, gosta de almoçar num restaurante chinês e namora uma argentina.
                        Com toda esta diversidade buscamos encontrar uma razão de nos mantermos pertencentes a um grupo determinado. Vivemos a todo o momento procurando uma razão e uma forma de nos adaptarmos a nossa realidade conturbada e diversificada.
                        As relações estão a cada momento sendo colocadas em movimento, a informatização e os meios eletrônicos nos colocam dilemas nunca antes imaginados, através das redes sociais e da rede mundial de computadores, podemos em questões de minutos termos acesso a diferentes culturas e diferentes formas de pensamento que antes era praticamente impossível.

De acordo com Bauman a nossa cultura ocidental está diluindo como a água que se escorre das nossas mãos, sendo impossível detê-la. Não há nada permanente, as pessoas estão a cada dia em constante mudança, as mudanças na forma de se relacionar, no lado profissional, nos casamentos, concepções de família, religião e comunicação estão a todo momento num movimento constante. As mudanças se tornaram tão freqüentes que em muitos casos não percebemos, é como se estivéssemos em alta velocidade num trem e já não percebemos mais as mudanças, pois estamos inseridos dentro dela, isto explica a dificuldade de gerações mais antigas de se adaptarem a essas mudanças, enquanto as gerações mais novas não vê problema no que está ocorrendo.
A identidade encontra nesta sociedade um dinamismo que reflete diretamente na diversidade cultural, esta sociedade busca através de uma interação entre os diversos grupos culturais uma forma de pensar e de auto afirmação mesmo sofrendo um aculturamento. Questões referentes a linguagem, participações em certos eventos, busca por mudanças na própria estrutura da sociedade, modos de vestir, de se relacionar com o outro, o diferente está colocando a identidade como um tema em debate em todos os campos do saber.
Ao longo da nossa história podemos observar o quanto o tema da identidade tem criado grandes dilemas no campo das ciências humanas.  Os avanços das novas tecnologias e a descrença na sociedade moderna tiram da sociedade contemporânea o seu local de segurança nas grandes transformações que estão em andamento. Esta mesma sociedade que está apreensiva das transformações que estão ocorrendo buscam uma melhor compreensão das identidades.
Aqueles valores que antes eram tidos como imutáveis, seguros e resistentes a mudanças agora encontram-se num dilema, como se auto afirmar e ao mesmo tempo se aproximar e relacionar com povos tão diferentes com objetivos tão diversos.
          


A Globalização e a Pós-modernidade: conceitos controversos


O conceito de Pós-modernidade é bastante discutido nos vários círculos acadêmicos e entre os intelectuais em todo o mundo. Questões relativas à arte, cultura, literatura e sociologia são freqüentemente associada à Pós-modernidade.
Este conceito está relacionado diretamente com alguns fatos marcantes do século XX como o movimento da contra cultura, o feminismo, questões ecológicas e ambientais, religião, sexualidade entre outros, o mundo que antes tinha se pautado em uma racionalidade, em que o homem poderia encontrar a paz, a vida longa, a felicidade com a ajuda da ciência, o progresso, como dizia Comte, se vê frustrado diante das atrocidades da primeira e principalmente da segunda guerra mundial. A ciência e a racionalidade ao invés de levar ao progresso e a paz quase levou a humanidade a um auto-extermínio, a razão da modernidade estava dando lugar ao ceticismo da pós-modernidade. Tendo como um dos principais fatores a desvalorização das questões ideológicas referentes ao período da modernidade, houve uma crise das ideologias que estavam em voga até o século XX.
Os intelectuais e grandes estudiosos do assunto não conseguem chegar num consenso quanto a questão de quando começou a pós-modernidade e para muitos a modernidade não acabou. A pós-modernidade é o rompimento do período moderno, sendo o divisor de água entre os períodos recentes. O afastamento histórico é um dos complicadores no estudo deste conceito, quanto mais afastado no tempo em que estamos estudando melhor é a interpretação, a aproximação histórica nos condiciona e nos coloca explicações com influência forte da parcialidade. Quanto mais distante menos parcial seremos ao analisar os períodos históricos estudados.
As mudanças que ocorreram neste período são profundas e sendo a globalização um novo marco da sociedade mundial. Afinal jamais na História o mundo esteve tão interagido e as informações estão a cada dia mais rápidas e democráticas.
A globalização é um marco na história atual, apesar de alguns analistas colocarem como sendo um processo que se iniciou no século XIV com as descobertas e as grandes navegações principalmente por Portugal e Espanha, o mundo naquela época deixava de ser apenas Europa-Ásia para se expandir em todo o globo terrestre. Porém jamais tivemos algo parecido com o que está ocorrendo desde a segunda guerra mundial, nunca antes os países do globo estiveram tão integrados economicamente e socialmente. Através desta integração governos, pessoas e empresas estão efetuando transações financeiras, comerciais e pessoais, a internet através das redes sociais está a cada dia diminuindo a barreira da comunicação, fazemos parte de uma verdadeira Aldeia Global encurtando barreiras das distâncias e transformando as relações culturais através de uma grande interação e um processo de aculturação em todo o globo terrestre, quase todas as culturas existentes tem alguma forma de ligação com as demais.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Geopolítica no contexto Pós guerra Fria


Durante a Guerra Fria o mundo esteve dividido entre duas grandes potências, EUA e URSS, o capitalismo x socialismo. Neste período o capitalismo estava em confronto direto pela sua manutenção e até mesmo expansão. Com a queda da ameaça socialista, que ocorreu com a derrocada soviética no fim da década de oitenta, o capitalismo pode finalmente se globalizar e atingir todo os cantos do mundo. No período da guerra fria a geopolítica era fundamental para que o capitalismo se mantivesse forte e resistente a ameaça socialista, os maiores gastos foram relacionados em áreas militares e estratégicas, o domínio político era fundamental em cada parte do mundo, esta lógica fez com que americanos e soviéticos se aventurassem nas mais diversas guerras, sem nenhuma lógica econômica, como Vietnã, Afeganistão, Coreia do Norte entre outras. O que prevalecia neste momento era a conquista política, era o confronto da esquerda com a direita liberal, o território físico era de importância estratégica. Após a queda do socialismo, o capitalismo através principalmente dos EUA, diminuiu suas interferências políticas e aumentou as interferências sob um viés de interesse econômico. Os Estados Nacionais não mais buscavam ideologias, partidos políticos mas sim interessavam nos avanços das empresas nesta aldeia global. As guerras que antes tinham uma conotação ideológica, passaram a ter como principal motivação a parte econômica. Com argumentos diversos os EUA invadiram Afeganistão e Iraque para se apossarem de suas riquezas e aumentar sua participação em áreas estratégias na economia global. Recentemente a Rússia mantém apoio incondicional a Síria na guerra civil que assola o país, este apoio se deve a forte ligação dos russos com este país, por questões econômicas principalmente de gás e petróleo. Outras guerras que mereceriam intervenções não foram sequer colocadas como noticiários das grandes mídias, como o genocídio em Ruanda no ano de 1994, onde morreram de forma cruel quase um milhão de pessoas, os locais na qual não há interesse econômico por parte das nações ricas não são colocados nem nas agendas de debate, neste caso os países principalmente da África são deixados a própria sorte, lembrando que a atual pobreza em que se encontram os países africanos se devem a disputas e o neocolonialismo dos países Europeus no século XIX e XX. A geoeconomia está ditando as normas da nova ordem mundial, a economia está colocando na agenda mundial o que é importante ou não. Isto explica os fracassos nas mudanças em questões como direitos humanos, meio ambiente, tentativas de diminuir a fome e a miséria no mundo. Há uma ressalva, diante da crise econômica que o mundo está passando desde 2008 que se iniciou nos EUA e se alastrou por todo o mundo, houve uma necessidade dos Estados Nacionais salvarem o capitalismo desta crise, neste momento todos verificaram que mesmo com a globalização e a diminuição da força dos Estados, eles ainda tem forte poder e forte interferência nas decisões globais. Diante destas análises podemos perceber que a Geoeconomia tomou as rédeas nesta sociedade global, porém a Geopolítica está atenta para qualquer desvio, ela irá interferir e com toda sua força, manterá o domínio capitalista sobre nossas vidas.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” Martin Luther King






Há cinquenta anos, um dos discursos mais famosos da história foi proferido pelo ativista político Martin Luther King. Ele falou sobre o sonho de uma convivência harmônica entre brancos e negros. Numa época em que o Racismo estava institucionalizado e os negros eram tratados pelos brancos como seres inferiores. 

Nos degraus do Lincoln Memorial em Washington D.C..Segue abaixo o discurso:


Ficheiro:IhaveadreamMarines.jpg

Eu Tenho Um Sonho

28 de agosto de 1963 Washington, D.C.

"Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência  estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.

Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nossos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.

Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã  que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano. 

Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais". 

Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade. 

Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississípi  um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça. 

Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo espiritual negro: " Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim."